Alta da inflação dificulta negociações de aluguéis; entenda os impactos

Os pais da executiva de recursos humanos Adriana Zanni moram em um apartamento alugado em Moema, na Zona Sul da cidade de São Paulo. Quando chegou o momento de reajustar o valor do aluguel, a família tomou um susto. ” A gente ficou muito preocupado, porque o valor era muito alto”, conta. Os contratos de aluguel geralmente são reajustados uma vez por ano pelo IGP-M, índice de inflação medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). No mês de fevereiro, o indicador subiu 2,5%, somando uma alta de quase 29% nos últimos doze meses. O resultado está bem acima do IPCA, inflação medida pelo IBGE que fechou 2020 em 4,5%. Essa diferença aconteceu porque o IGP-M sofre impacto mais imediato do dólar e dos preços das commodities, como a soja.

O diretor executivo da Rede Lopes, Matheus de Souza Fabrício, no entanto, afirma que há espaço para que inquilinos e proprietários negociem. “É um momento atípico e que, portanto, vale a tentativa de um acordo, uma coisa intermediária que faz sentido para ambas as partes. A gente tem visto que a maioria dos casos tem sido feliz nesse sentido”, disse.  A família da Adriana Zanni foi uma das que conseguiram negociar o valor do aluguel. “Nós conseguimos chegar em um valor de reajuste que acompanhava o valor da aposentadoria. Acho que negociação é assim, ganha ganha para os dois lados. É isso que aconteceu no nosso caso”, afirmou. É importante que proprietários e inquilinos avaliem se vale a pena deixar de cobrar ou de pagar pelo reajuste com base no IGP-M em meio à crise provocada pela pandemia do coronavírus.

*Com informações do repórter Nicole Fusco