BC prevê ‘crescimento econômico robusto’ no 2º semestre com os efeitos da vacinação

Apesar de a força da pandemia do novo coronavírus estar mais forte do que o projetado, a economia brasileira deve apresentar um crescimento robusto no segundo semestre de 2021, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente, afirmou o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), nesta terça-feira, 11. A avaliação faz parte da ata da reunião realizada na semana passada e que elevou a Selic de 2,75% para 3,5% ao ano. “Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia ainda permanece acima da usual, mas aos poucos deve ir retornando à normalidade”, informou. O colegiado também ponderou sobre a ociosidade da economia brasileira, e classificou os efeitos dessa desaceleração como “heterogêneos” para os setores. “Enquanto o setor de bens opera com baixa ociosidade, o setor de serviços mostra dificuldades para se recuperar. O Copom avalia que os dados de atividade e do mercado de trabalho formal sugerem que a ociosidade da economia como um todo se reduziu mais rapidamente que o previsto, apesar do aumento da taxa do desemprego.”

A autoridade monetária nacional sinalizou que deve fazer um novo acréscimo de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião agendada para junho, subindo a Selic para 4,5% ao ano. O Copom citou o aumento das commodities no mercado internacional e o recente reajuste da energia como pontos de pressão na inflação no curto prazo. Para os técnicos do BC, o avanço da inflação continua sendo um fenômeno temporário, “mas segue atento à sua evolução.” O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) perdeu fôlego em abril ao registrar alta de 0,31%, ante avanço de 0,93% em março, mas se manteve acima do teto da meta inflacionária perseguida pelo Banco Central. O indicador oficial da inflação brasileira acumulou alta de 6,76% nos últimos 12 meses encerrados em abril, superando o limite de 5,25% da meta do BC, com centro de 3,75% e piso de 2,25%.

Segundo o colegiado, o cenário para a inflação envolve fatores de riscos em duas direções. De um lado, a recuperação da economia pode ser mais lenta do que o estimado, desacelerando o ritmo inflacionário. Por outro, a reedição de políticas públicas para mitigar os efeitos da pandemia, e que devem piorar a trajetória fiscal, além da frustração em relação à continuidade da agenda de reformas no Congresso, podem pressionar o aumento dos juros. “Levando em conta o cenário básico e o balanço de riscos, o Comitê avaliou que na próxima reunião seria adequado outro ajuste da mesma magnitude, caso não haja mudança nos condicionantes de inflação”, informou. “O Copom reafirmou que essa visão para as próximas reuniões pode ser alterada caso haja mudança nas projeções de inflação ou no balanço de riscos, uma vez que a decisão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, e das projeções e expectativas de inflação.”