Bolsonaro diz que Petrobras só tem viés para atender ‘alguns grupos’ e critica o mercado financeiro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) retomou os ataques à Petrobras nesta segunda-feira, 22, e voltou a afirmar que não há interferência na estatal, apesar de ele ter determinado a saída do atual presidente, Roberto Castello Branco, e indicar o general Joaquim Silva e Luna, atual diretor-geral da Itaipu Binacional, para o cargo. “Falam em interferência minha. Baixou o preço do combustível? Foi anunciado 15% no diesel, 10% na gasolina. Baixou o porcentual? Não está valendo o mesmo porcentual? Como que houve interferência? O que eu quero da Petrobras, exijo, é transparência e previsibilidade”, disse o presidente a um grupo de apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. As ações da estatal despencam mais de 21% neste início de semana com o aumento da desconfiança na gestão da Petrobras. O presidente afirmou que a política de preços atende aos “interesses próprios de alguns grupos”, fazendo novas críticas ao mercado financeiro. “O petróleo é nosso ou é de um pequeno grupo no Brasil? Ninguém vai interferir na política de preços da Petrobras”, disse. “Dia 20 de março encerra o prazo da vigência do atual presidente. É direito meu reconduzi-lo ou não. Ele não será reconduzido. Qual o problema? É sinal de que alguns do mercado financeiro estão muito felizes com a política que só tem um viés na Petrobras, atender aos interesses próprios de alguns grupos do Brasil, nada mais além disso”, continuou.

O novo reajuste nos preços da gasolina e diesel, publicados pela estatal na última quinta-feira, 18, foi o estopim para a atual crise no governo. A Petrobras justifica os frequentes aumentos a valorização do petróleo no mercado internacional e a disparada do dólar. Apenas em 2021, a empresa já anunciou quatro mudanças no valor da gasolina e três para o diesel. “Eu não consigo entender num prazo de duas semanas ter um reajuste no diesel em 15%. Não foi essa a avaliação do dólar lá fora, do dólar aqui dentro, nem do preço do barril lá fora. Então tem coisa aí que tem que ser explicada. Eu não peço não, exijo transparência de quem é subordinado meu. A Petrobras não é diferente disso aí”, afirmou.

Bolsonaro também retomou os ataques ao atual presidente e disse que devem ocorrer mudanças na política salarial da empresa. “Alguém sabe quanto ganha o presidente da Petrobras? Alguém tem ideia? Chuta, bem alto. 50 mil por semana? É mais do que isso por semana. Então, tem coisa que não está certo. Não quero que ele ganhe 10 mil por mês também não. Tem que ser uma pessoa qualificada, mas não ter esse tipo de política salarial lá dentro.” Assim como no sábado, 20, o ex-capitão também criticou as medidas de isolamento social adotadas pela diretoria desde o ano passado. “O atual presidente da Petrobras está há 11 meses em casa, sem trabalhar. Trabalha de forma remota. Agora o chefe tem que tá na frente, bem como seus diretores. Então isso pra mim é inadmissível.”