Construção civil reduz projeção de crescimento de 4% para 2,5% em 2021

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor neste ano. O indicador caiu de 4% em janeiro para 2,5% em março. A alta nos preços dos insumos e a falta de matéria-prima pesaram para a revisão, segundo a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos. Pelo segundo trimestre consecutivo, esse foi o maior problema enfrentado pelo setor, como apontaram 57% dos empresários da construção. “Nós tivemos janeiro, fevereiro e março e até mesmo abril, não só um fortalecimento do desabastecimento e do aumento de preços, como um cenário macroeconômico também adquiriu m novo contorno. A pandemia veio a segunda onda mais forte que esperava, o avanço das reformas não aconteceu”, explica. De forma geral, os números da construção civil mostram que o setor retornou para os mesmos patamares de julho do ano passado.

A situação, no entanto, pode se agravar ainda mais se for confirmada a paralisação das obras da faixa um do programa Casa Verde e Amarela. De um R$ 1,5 bilhão que eram estimados, só sobraram R$ 29 milhões no Orçamento 2021, sancionado na semana passada pelo presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, José Carlos Martins, afirma que o país corre o risco de ficar com construções incompletas. “Ninguém cortou futura obra, futuro contrato, cortou o que está andando. E não é que cortou metade, 30 ou 40%, cortou quase 100%. São obras antigas ou contratados de retomada de obras que já pararam por falta de pagamento”, relata. A esperança do setor é que isto seja revertido nos ajustes do Orçamento. De acordo com a CBIC, no entanto, o governo não sinalizou, até o momento, que isso acontecerá.

*Com informações da repórter Nicole Fusco