Dólar chega a R$ 5,44 com cenário externo e risco de intervenção na Petrobras

O dólar engatou forte alta nesta quinta-feira, 4, com o fortalecimento da moeda norte-americana no mercado internacional e a apreensão dos investidores com o risco de ingerência na Petrobras após a fala de Jair Bolsonaro (sem partido) sobre combustíveis. A divisa norte-americana encerrou o dia com valorização de 1,47%, cotada a R$ 5,449. O dólar chegou a bater a máxima de R$ 5,457, enquanto a mínima não passou de R$ 5,356. Na véspera, a moeda encerrou dia com alta de 0,28%, a R$ 5,370. O cenário de cautela também impactou na Bolsa de Valores brasileira, que chegou a ultrapassar os 120 mil pontos durante parte da manhã. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou o pregão com recuo de 0,39%, aos 199.260 pontos. O índice encerrou a quarta-feira, 3, com avanço de 1,26%, somando 119.724 pontos. “Depois de três sessões consecutivas de alta, nada mais natural que uma leve correção no pregão de hoje para o Ibovespa, que segue encontrando dificuldades para confirmar o rompimento da faixa de 120 mil pontos e ir em busca da máxima histórica. Porém, o que mais chamou atenção hoje foi a forte alta do dólar e dos juros futuros, fruto de uma possível intervenção estatal no preço dos combustíveis”, afirma Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Em evento na cidade de Cascavel, no interior do Paraná, Bolsonaro agradeceu aos caminhoneiros por não terem embarcado no movimento paradista anunciado para segunda-feira passada, 1º, e disse que convocou uma reunião para discutir os combustíveis nesta sexta-feira, 5. A fala do chefe do Executivo soou um alarme no mercado para a possível ingerência da Petrobras. Para o mercado, a independência da estatal é fundamental para o ambiente de negócios. Ainda na pauta doméstica, investidores analisam o cronograma para aprovação da reforma tributária entre agosto e outubro, de acordo com as declarações dos presidentes da Câmara e do Senado. O deputado Artur Lira (PP-AL) e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) também disseram que a Comissão Mista de Orçamento (CMO) será instaurada nesta terça-feira, 9. A formação do colegiado é necessária para a aprovação do Orçamento de 2021. Pacheco ainda disse que conversou nesta manhã com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para encaminhar as discussões sobre o auxílio emergencial. A volta do benefício, que é rechaçada pela equipe econômica, foi defendida pelos dois parlamentares durante a disputa pelo comando da Câmara e do Senado.