Dólar flerta com R$ 5,70 após mudanças em impostos e apreensão com PEC; Bolsa cai

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro operam sobre forte pressão nesta terça-feira, 2, um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciar a isenção de impostos federais para o diesel e o gás de cozinha e a compensação com o aumento da taxação sobre o setor financeiro, indústria química e venda de carros para deficientes. Próximo das 11h05, o dólar disparava 1,18%, a R$ 5,667. A moeda chegou a bater máxima de R$ 5,696, enquanto a mínima não passou de R$ 5,649. A divisa fechou na véspera com leve queda de 0,08%, a R$ 5,600. O cenário derruba a Bolsa de Valores brasileira e o Ibovespa, principal referência da B3, cai 1,85%, a 108.297 pontos. O pregão desta segunda-feira, 1º, fechou com alta de 0,27%, aos 110.334 pontos.

Conforme adiantado nas últimas semanas, Bolsonaro anunciou nesta segunda-feira a retirada do PIS/Cofins do óleo diesel e do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha. A redução dos tributos sobre o combustível terá validade para março e abril, enquanto o GLP de uso doméstico ficará isento permanentemente. Segundo dados do governo federal, as medidas diminuirão a carga tributária em 3,67 bilhões neste ano. Para 2022 e 2023, a diminuição da tributação no gás de cozinha implicará em uma queda de arrecadação de R$ 922,06 milhões e R$ 945,11 milhões, respectivamente. A medida será compensada com o aumento das taxas sobre serviços financeiros, como bancos e corretoras, indústria química e para a compra de veículos adaptados por pessoas portadoras de deficiência.

Investidores também acompanham as tratativas para a votação da PEC Emergencial no Senado e as negociações para a retomada do auxílio emergencial. Senadores devem se encontrar nesta terça-feira para alinhar as expectativas e colocar o texto em votação entre hoje e amanhã. Bolsonaro se reuniu com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), neste domingo , 28, para alinhar o projeto. O ministro da Economia, Paulo Guedes e outros auxiliares do presidente também participaram das negociações. O texto que cria cláusulas de calamidade para o corte de gastos deveria ter sido votado pelo Senado na última quinta-feira, 25, mas a decisão foi adiada pela falta de consenso entre líderes do Congresso. Investidores temem que o texto seja dividido e que o benefício seja liberado antes que o Legislativo chancele as medidas semelhantes à PEC de Guerra aprovada em 2020 e que excluem as despesas com o auxílio do teto de gastos. Lideranças do Congresso se opuseram à aprovação de contrapartidas para a liberação do benefício e classificaram a imposição do governo federal como “chantagem.”