Dólar recua com mercado à espera pelas definições no Congresso; Ibovespa sobe

O mercado financeiro começou a semana com bom humor com investidores à espera das eleições no Congresso. Nesta segunda-feira, 1º, deputados e senadores escolhem os membros das mesas diretoras para os próximos dois anos. As definições terão peso fundamental na governabilidade de Jair Bolsonaro (sem partido) e no ritmo da aprovação da agenda de reformas e outras pautas defendidas pelo governo federal para a retomada da economia. Diante deste cenário, o dólar fechou com recuo de 0,45%, a R$ 5,449. A divisa chegou a bater a máxima de R$ 5,486, enquanto a mínima não passou de R$ 5,421. Na semana passada, a moeda norte-americana encerrou a R$ 5,47, com alta acumulada de 5,5% no mês de janeiro. Seguindo o viés de alta nos mercados globais, a Bolsa de Valores brasileira iniciou fevereiro com valorização. O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia com crescimento de 2,13%, aos 117.517 pontos. O pregão fechou o mês passado aos 115.067 pontos, com queda acumulada de 3,3% em janeiro. “Por aqui, expectativa pela definição das eleições no Congresso, em especial na Câmara, onde nos últimos dias, o candidato do governo, Arthur Lira, ganhou bastante força e pode desbancar o candidato de Rodrigo Maia. Além do cenário político, os investidores aguardam os números do Itaú que serão divulgados após o pregão de hoje”, afirma Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

As atenções dos investidores estiveram voltadas aos últimos desdobramentos para as eleições dos novos presidentes no Congresso. O sistema democrático brasileiro preconiza o poder exclusivo ao presidente da Câmara dos Deputados a autorização ou veto aos pedidos de impeachment do inquilino do Palácio da Alvorada. Até o momento, o então presidente Rodrigo Maia (DEM) rejeitou todos os pedidos para afastamento do presidente. Apesar de as duas casas terem sua importância na República, a disputa pela mesa diretora da Câmara dos Deputados tem ganhado muito mais destaque que as discussões no Senado Federal. A votação será presencial e secreta, com início previsto para 19h. Será eleito em primeiro turno o parlamentar que conseguir a maioria absoluta dos votos, ou seja, 257 dos 513 deputados. Caso isso não ocorra, os dois mais votados disputam o segundo turno para a presidência. Vence a disputa quem obtiver a maioria simples dos votos. São oito candidatos brigando pela cadeira de Maia, sendo o representante do centrão e aposta de Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL), e Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado por Maia, mas que teve a candidatura esvaziada após o próprio DEM afirmar posição neutra na disputada, os principais candidatos. Já no Senado a disputa está concentrada em Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Simone Tebet (MDB-MS). Pacheco é apoiado pelo atual presidente, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e também é o favorito de Bolsonaro. A disputa na casa iniciou por volta das 15h. Para ser eleito, o candidato precisará ter no mínimo a maioria absoluta dos votos, ou seja, pelo menos 41 dos 81 senadores. O voto também é secreto e presencial. A definição do comando do Congresso é constantemente apontado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para o avanço da agenda de reformas e outras pautas para a recuperação do país no pós-pandemia.

Ainda na pauta doméstica, economistas e casas de análise consultadas pelo Banco Central revisaram a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 3,50% em 2021, ante de projeção de 3,49% há uma semana, segundo números publicados pelo Boletim Focus nesta segunda-feira. Esta é a quarta semana consecutiva com mudança na previsão para o crescimento econômico. Há um mês, a projeção era de alta de 3,40%. O relatório também apresenta nova expectativa para a a inflação, agora a 3,53%. Na semana passada, a estimativa para o avanço do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) era de 3,50%, ante 3,32% há um mês. O novo valor está mais próximo da meta de 3,75% perseguida pela autoridade monetária nacional, com margem para flutuar entre 2,25% e 5,25%. A inflação encerrou o ano de 2020 a 4,52% — acima das expectativas do mercado —, puxada principalmente pelo encarecimento dos alimentos. A meta para o Banco Central no ano passado era de 4%, com variação de 2,50% e 5,50%. As fontes consultadas pelo Banco Central esperam que o câmbio encerre a R$ 5,01, ligeiramente acima dos R$ 5 cotados no Boletim Focus da semana passada. O mercado manteve a expectativa para a taxa básica de juros para 3,50% no fim deste mês. O valor é o mesmo da semana passada, mas meio ponto percentual acima do previsto há um mês. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic a 2% ao ano na primeira reunião de 2021, decisão já esperada pelo mercado financeiro.