Dólar sobe com cenário externo e avanço da Covid-19; Ibovespa recua

O mercado financeiro brasileiro opera nesta segunda-feira, 22, pressionado pela valorização do dólar sobre as moedas emergentes após a queda da lira turca no fim de semana, ao mesmo tempo que investidores acompanham a piora da pandemia da Covid-19 e o aumento das expectativas da inflação e taxa de juros. Por volta das 11h50, o dólar avançava 0,55%, a R$ 5,516 após ter alcançado máxima de R$ 5,548 e mínima de R$ 5,496. O câmbio encerrou a semana passada com queda de 1,51%, a R$ 5,485. O cenário faz o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, operar com baixa de 1,42%, aos 114.573 pontos. O pregão de sexta-feira, 19, fechou com alta de 1,21%, aos 116.221 pontos.

As moedas dos países emergentes começaram a semana em queda em reflexo ao tombo da lira turca no fim de semana após a substituição do presidente do Banco Central do país a mando do presidente Recep Tayyip Erdogan. O dinheiro da Turquia chegou a registrar queda próxima de 20%, tragando também os pares brasileiro, sul-americano, mexicano, entre outros.

No noticiário doméstico, investidores acompanham o recrudescimento da pandemia do novo coronavírus no país com o aumento de internações e mortes. O Brasil registrou 1.290 novas mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas encerradas neste domingo, 22, enquanto 47.774 novos casos foram contabilizados, segundo dados do Ministério da Saúde. No momento, o país possui 294.042 óbitos registrados desde o início da pandemia. A apreensão é que o crescente número de vítimas leve ao aumento das restrições de funcionamento de comércio, empresas e indústrias, elevando a dificuldade para a retomada econômica. Aproximadamente 500 economistas e banqueiros brasileiros, entre eles ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central, além de nomes à frente das principais instituições financeiras do país, publicaram uma carta aberta ao governo federal cobrando por mais efetividade na vacinação em massa e adoção de medidas de distanciamento social. Ainda na pauta doméstica, economistas e entidades consultadas pelo Banco Central aumentaram a previsão da inflação para 4,71%, a 11ª semana seguida de alta, e estimam que a Selic chegue a 5% em 2021, segundo dados publicados no Boletim Focus desta segunda-feira. Ao mesmo tempo, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) reduziu para 3,22%.