Dólar sobe com pressão externa; Ibovespa recupera os 120 mil pontos

A pressão internacional com o temor do aumento de juros nos Estados Unidos após o avanço da inflação em abril impactou no mercado financeiro brasileiro nesta quinta-feira, 13, a despeito do otimismo com o avanço de 2,3% no primeiro trimestre do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O dólar fechou com alta de 0,15%, cotado a R$ 5,313, depois de alcançar máxima de R$ 5,333 e mínima de R$ 5,254. Este foi o segundo dia seguido que a moeda americana avança ante o real. O câmbio encerrou na véspera com alta de 1,58%, a R$ 5,306. O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, voltou ao campo positivo ao registrar alta de 0,83%, fechando aos 120.705 pontos. O pregão desta quarta-feira, 12, encerrou com forte queda de 2,65%, aos 119.710 pontos.

Mercados em todo o mundo continuaram apreensivos com a alta dos juros nos Estados Unidos depois de que a inflação de abril subiu 4,2% ante o mesmo mês no ano passado, o maior salto anual desde setembro de 2008 e acima das previsões do mercado. Na comparação com o mês anterior, a variação de preços foi a 0,8%, também superando as expectativas. O impulso na inflação acendeu um alerta para a possível revisão da política de estímulos lançada pelo Banco Central dos EUA (Fed, na sigla em inglês) para reaquecer a economia após o choque do novo coronavírus. Para analistas, o corte de estímulos poderá levar ao crescimento menor do que o esperado e diminuir a injeção de dólares nos mercados globais. Ainda nos EUA, o Departamento do Trabalho informou que 473 mil pessoas solicitaram o auxílio-desemprego na semana passada, um número abaixo das projeções do mercado e o quarto registro de queda em cinco semanas.

Na pauta doméstica, o Banco Central divulgou nesta manhã que o IBC-Br retraiu 1,59% em março na comparação com fevereiro, interrompendo uma sequência de 10 meses de alta. Apesar do tombo, no acumulado do trimestre o IBC-Br avançou 2,3%. A queda mensal já era esperada pelos analistas devido ao recrudescimento da pandemia do novo coronavírus e a reedição de medidas de isolamento social. Ainda no cenário doméstico, investidores acompanharam os desdobramentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. Nesta quinta-feira, senadores receberam o ex-presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo.