Dólar vai a R$ 5,55, mas acumula queda de 2% na semana; Ibovespa fecha em baixa

Depois de um dia de fortes ganhos, o mercado financeiro brasileiro encerrou esta sexta-feira, 12, em queda pressionado pelo pessimismo nos principais indicadores internacionais com o aumento dos títulos públicos nos Estados Unidos . O dólar fechou com avanço de 0,3%, a R$ 5,559. A moeda americana chegou a bater máxima de R$ 5,589, enquanto a mínima não passou de R$ 5,547. O câmbio encerrou na véspera com forte queda de 1,94%, a R$ 5,542, a cotação mais baixa desde o fim de fevereiro. Apesar do avanço desta sexta-feira, o dólar fecha a semana com recuo de 2,18%, enquanto desde o início de março a queda é de 0,82%. Em 2021, no entanto, a moeda soma valorização de 7,15%. Seguindo a queda das principais Bolsas na Europa e EUA, o Ibovespa, referência da B3, encerrou com queda de 0,72%, aos 114.160 pontos. O pregão desta quinta-feira, 11, fechou com avanço de 1,96%, aos 114.893 pontos.

O índice dos títulos públicos norte-americanos, também conhecidos como treasures, bateu 1,6% nesta sexta-feira, gerando temor do aumento da inflação. Ainda na pauta internacional, o democrata Joe Biden sancionou nesta quinta-feira o pacote de US$ 1,9 trilhão para estímulos à economia em meio à pandemia do novo coronavírus. O texto prevê novos pagamentos diretos de US$ 1,4 mil aos contribuintes que ganham menos de US$ 80 mil por ano, mais fundos para os governos estaduais e locais, vacinações e reabertura de escolas. “Os títulos do Tesouro dos EUA com vencimento de 10 anos são mundialmente utilizados como referência de ativo livre de risco. A alta eleva o prêmio exigido pelo mercado para a tomada de risco no mercado de renda variável e, consequentemente, reduz o potencial de valorização das ações. Com boa parte das bolsas nas máximas, esse aumento da percepção de risco culmina em uma realização de lucros, com os investidores em busca de um melhor nível de preço para ter um nível de risco contra retorno adequado”, diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

No cenário doméstico, investidores analisaram a queda de 0,2% das vendas do varejo em janeiro, o terceiro mês seguido de retração. O movimento coincide com a redução do auxílio emergencial a partir de outubro do ano passado e o fim dos pagamentos em dezembro. Depois de forte reação no segundo semestre de 2020, o recrudescimento da pandemia da Covid-19 e adoção de novas medidas para restringir o funcionamento do comércio em diversos Estados devem pressionar o setor nos primeiros meses deste ano. Também no noticiário local, a Câmara dos Deputados aprovou em definitivo nesta quinta-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que abre espaço no Orçamento para a retomada do benefício. O presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que o texto será promulgado nesta segunda-feira, 15. O governo federal aguardava a aprovação da medida para encaminhar a medida provisória que oficializa o retorno do auxílio. A expectativa é que o texto seja encaminhado ao Congresso nos próximos dias para que os primeiros pagamentos saiam ainda em março.