É hora de comprar ou vender ações da Petrobras após queda de mais de 20%?

As ações da Petrobras despencaram nesta segunda-feira, 22, com a fuga de investidores após a intervenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no comando da estatal. A venda de papéis diante da desconfiança do mercado na ingerência da empresa levou os papéis preferenciais (PETR4) e ordinários (PETR3) derreterem mais de 20%, e fez o valor de mercado da Petrobras reduzir cerca de R$ 100 bilhões desde quinta-feira, 18, véspera do anúncio, quando estava avaliada em aproximadamente R$ 384 bilhões. Na sexta-feira, Bolsonaro anunciou que indicaria o general Joaquim Silva e Luna, atual diretor-geral da Itaipu Binacional, para o cargo ocupado por Roberto Castello Branco. O cenário caótico divide opiniões no mercado financeiro. Enquanto algumas entidades recomendam a venda das ações diante do risco gerado pelo movimento de Bolsonaro, outras enxergam uma oportunidade para investidores comprarem os papéis na baixa com a perspectiva de nova valorização no longo prazo. Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimento, diz que apostar na empresa agora é uma decisão que varia de acordo com o tamanho do risco que se está disposto a correr. “É uma oportunidade para quem tem estômago para a oscilação de preços e já está mais acostumado com o ambiente de ganhar ou perder da Bolsa. Quem não tem esse perfil mais agressivo, o recomendado é não comprar agora”, afirma. Já para quem tem em mãos os papéis, a dica é ponderar sobre a necessidade do momento. “Se o investidor conseguir tirar o ganho real e precisa desse recurso no curto prazo, a recomendação é que ele venda. Mas se ele tiver prejuízo com o negócio, o melhor é manter na carteira e esperar”, afirma.

Em comunicado divulgado neste domingo, a XP Investimentos afirmou que “não há mais como defender” a Petrobras e recomenda aos investidores se desfazerem dos papéis. Segundo os analistas Gabriel Francisco e Maria Maldonado, as ações devem seguir um viés de queda diante de tantas dúvidas sobre o comando da estatal. “As incertezas para a política de preços de combustíveis da Petrobras implicam uma menor correlação das ações em relação aos preços do petróleo daqui para frente, dados os riscos de que não sejam totalmente repassados aos preços dos combustíveis. Com isso, esperamos uma deterioração nos resultados no futuro, não apenas devido às margens de refino mais baixas, mas também devido aos riscos que a Petrobras deva realizar importações de combustível com prejuízo para evitar qualquer risco de desabastecimento no mercado local”, afirmam.

Há também quem prefira se manter neutro e esperar a situação acalmar para tomar uma decisão mais ponderada. Romero Oliveira, gerente de Renda Variável da Valor Investimentos, diz que o momento é para cautela e observação dos próximos passos do governo federal. “A nova gestão pode ser uma coisa muito ruim, mas também pode ser que não haja esse efeito trágico. Depende dos sinais que o governo federal passar”, afirma. “Imagina um investidor de fora vendo a mudança dessa forma e ainda colocando um general no cargo de uma petroleira. O momento é de incerteza, não se sabe como vai ser essa atuação, se vai ter mudanças de preço e qual a magnitude”, afirma.

Apesar da indicação de Bolsonaro, a efetivação de Silva e Luna deve ser referendada pelo conselho de administração da Petrobras. Pelos trâmites, a troca será realizada apenas depois do dia 20 de março, quando encerra o mandato de Castello Branco. Simone, da Reag, diz que os papéis da estatal devem ficar nesse ritmo de incerteza pelos próximos três meses até que os investidores tenha uma posição mais fixa sobre os futuros da Petrobras. “Ainda vai ter muita volatilidade até que o mercado sinta confiança nesse presidente”, diz. Para Oliveira, da Valor, a apreensão do mercado não é pela escolha do general, mas pela forma que a situação foi conduzida. “Não há um juízo de valor do general Silva e Luna, que pode vir a fazer uma bela gestão. Mas é que não teve uma razão muito clara para a mudança, e essa incerteza de ingerência e falta de autonomia gera desconforto ao investidor”, afirma.