Empresários vivem drama com lockdown; comércio cobra medidas das autoridades

A falta de leitos nos hospitais provocando aumento das restrições de circulação e funcionamento de diversas atividades está sufocando as mais variadas áreas da economia. Como se não bastasse, uma recente decisão da Justiça acendeu o sinal de alerta no setor produtivo. A rede de churrascarias Fogo de Chão, no Rio de Janeiro, foi condenada a pagar R$ 17 milhões por danos morais coletivos e a reintegrar e pagar verbas trabalhistas a funcionários demitidos durante o período de quarentena. O advogado da Fogo de Chão, Maurício Pessoa, vê distorções. “Se você  oprime o empresário e o obriga a manter uma folha que ele não pode, em razão da sua atividade paralisada, da ausência de faturamento, que no caso da Fogo de Chão é pior porque a migração para o delivery não aconteceu, você corre o risco de asfixiar a empresa e sacrificar os empregos que ainda restam.”

O economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo, indica que a decisão vai na contramão da realidade empresarial do país. “Mostrou uma completa ojeriza à atividade empresarial, achando que o empresário tem dinheiro e pode suportar qualquer ônus que seja estabelecido. É uma demonstração muito grande dos riscos que as empresas estão correndo, porque não têm para quem apelar quando existe um problema dessa natureza”, disse. É cada vez maior o número de estabelecimentos com portas fechadas. Independente do tamanho das empresas, o empresariado quer um ambiente com segurança e estabilidade para empreender sem solavancos.

O assessor econômico da Fecomercio, Jaime Vasconcellos, destaca que as esferas governamentais precisam criar mecanismos para minimizar os efeitos danosos da pandemia. “Não é de interesse dos empresários mandar embora. Se é necessário, é porque nessa situação emergencial de uma crise sem precedentes, e sem horizontes, isso se faz necessário para que não tenhamos a falência completa do negócio. É importante frisar que quando pedimos créditos, redução de impostos, fiscalização, é para preservar o máximo de estabelecimento empresariais e os empregos a eles atrelados”, defendeu. A crise econômica afeta também o setor de abastecimento. A Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores divulgou um comunicado ressaltando que vê com muita preocupação as medidas restritivas. Apesar de entender as dificuldades do sistema pública de saúde, a entidade espera que as autoridades revejam suas políticas. Com a atual situação, o receio não é apenas de um colapso hospitalar, mas também de um colapso econômico no país.

*Com informações do repórter Daniel Lian