Fechamento de lojas de construção e aumento de preços impacta entrega de obras em SP

No final do ano passado, o Rafael Carvalho decidiu empreender. Ele está abrindo uma padaria de pães artesanais e achou o ponto: uma loja no bairro Sacomã, na capital paulista, e passou para a etapa de reforma. O que ele não esperava era que o custo final do investimento terminasse mais caro do que o projeto contratado. “Foi cerca de 20 a 30% do que a gente estava orçado, mas a equipe que trabalhou com a gente de arquitetura conseguiu colocar isso dentro desses 20 a 30%, poderia ser muito mais do que isso, e aí poderia até inviabilizar o projeto”, conta.

A Juliana Cristina Silva, que é arquiteta, diz que o mercado já está mais aquecido. Alguns produtos que chegaram a faltar no início da pandemia já estão voltando, mas os estoques ainda são pequenos e os preços estão lá em cima. O jeito foi substituir muita coisa. “O processo de obra a gente teve que rever, ir muito junto na loja para escolher aquilo que estava valendo mais a pena, porque estava tudo muito instável, os preços dos materiais muito instáveis.” Ela relata preocupação com os demais projetos, uma vez que nem isso poderá fazer com outros clientes nos próximos dias, uma vez que as lojas de materiais de construção estão fechadas no estado de São Paulo durante a fase emergencial. 

A principal adaptação feita na padaria de Rafael foi na marcenaria, devido a dificuldade de encontrar o material original do projeto por um preço em conta. Segundo uma pesquisa do IBGE em 2020, 55% das empresas do setor tiveram problemas na compra de insumos da construção. A oscilação dos preços tem sido tema de debate entre setor e governo. Em reunião no início deste mês, representantes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção levaram reivindicações para o Ministério da Economia. José Carlos Martins, presidente da CBIC diz que o diálogo está aberto e ações referentes ao PVC e ao aço são esperadas pelo segmento.

* Com informações da repórter Carolina Abelin