Governo e Congresso intensificam debate sobre volta do auxílio sem criação de impostos

Pressionado pelo Congresso Nacional para que seja renovado o auxílio emergencial, o governo federal ainda não sabe de onde vai sair o dinheiro para custear o retorno do benefício. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem afirmado que serão necessários pelo menos R$ 20 bilhões para pagar a assistência emergencial de R$200 por mês para metade dos beneficiários do ano passado. Ao mesmo tempo, durante encontro com prefeitos eleitos nesta quarta-feira, 10, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que o governo não tem dinheiro no cofre e que o benefício é fruto de endividamento. Por conta disso, voltaram os rumores sobre a possível recriação de um imposto similar à CPMF para garantir os recursos necessários para o auxílio emergencial.

Enquanto a área econômica garante que isso não está em estudo, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que a retomada do auxílio não pode ser usada como pretexto para criação de um novo imposto no país. Segundo o presidente da instituição, Paulo Skaf, o aumento de imposto é tudo que o Brasil não precisa nesse momento. Da mesma forma, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, também descarta a possibilidade de novas tributações no país. “A criação de impostos é algo traumático, especialmente à luz da discussão de uma reforma tributária que tem que ser mais ampla. O momento de dimensionar a criação ou extinção de tributos é na reforma tributária. Então vamos buscar uma solução sem que haja necessidade da criação de impostos, pelo menos esse é o ideal.”

A área econômica do governo tem sinalizado que para garantir a retomada dos benefícios será necessário definir contrapartidas e reforçado que, mesmo nesse momento, não se pode abandonar as medidas de ajuste fiscal. Paulo Guedes defende que uma nova rodada do auxílio emergencial deve vir acompanhada de medidas, como proibição de reajuste de servidores e de aumento automático de repasses mesmo para as áreas essenciais, como educação e a segurança pública. Segundo ele, não se pode gastar agora e deixar a conta para futuras gerações.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin