Governo estuda programa de distribuição de riquezas para incentivar privatizações, diz Guedes

Ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou nesta terça-feira, 25, que o governo federal estuda lançar um programa para a distribuição de riquezas como forma de incentivar as privatizações. Segundo o chefe da equipe econômica, o modelo prevê que parte do valor arrecadado com a venda de empresas públicas seja destinado para o reforço de programas sociais. “Que tal se eu pegar 20% e jogar para os mais pobres? As estatais pertencem ao povo brasileiro, e nós vamos pegar uma parte, 80% para reduzir a dívida pública, mas 20% eu vou distribuir”, afirmou o ministro. “Uma coisa é a transferência de renda, agora tem o seguinte, se privatiza A, B e C, dobrou o Bolsa Família naquele ano.” Segundo o ministro, a ideia não é substituir o Bolsa Família, que ele classificou como “recorrente” e que também faz parte dos debates de reformulação dos programas sociais.

Em evento do banco BTG Pactual, Guedes também afirmou que o Ministério da Economia projeta parcerias com a iniciativa privada para fornecer cursos de capacitação e estimular a entrada dos mais jovens no mercado de trabalho. A proposta prevê o pagamento de R$ 600 por participante, dividido entre o Bônus de Inclusão Produtiva (BIP), custeado pelo governo, e o Bônus de Incentivo à Qualificação (BIQ), pago pelas empresas participantes. Segundo o ministro, o projeto pode gerar até dois milhões de empregos “rapidamente” e já há empresas interessadas. A iniciativa antecede o programa Carteira Verde e Amarela, projetado pela equipe econômica para combater o desemprego no país.

O ministro ainda disse que o país pode crescer até 5% neste ano com o aumento dos investimentos da iniciativa privada na agenda de concessões do governo federal e com a agenda de reformas. Guedes também afirmou que está buscando atrair o capital estrangeiro no país com a organização da economia. “Tem que trabalhar em vez de vender, não adianta vender o que não dá para entregar. Imagina se eu trago os gringos todo para o Brasil com o dólar a R$ 2,20, aí dólar vai a R$ 5,50. Primeiro tem que entregar, depois os caras vem devagarzinho, entra a R$ 5,50 e, quem sabe, vão sair daqui a R$ 3”, afirmou.