Guedes diz que economia sentirá impacto da pandemia a partir de março

Ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou nesta segunda-feira, 22, que a economia sentirá a partir de março os impactos da piora da pandemia do novo coronavírus e a retomada de restrições para o funcionamento do comércio e circulação de pessoas. A declaração foi dada ao comentar o aumento de 4,3% na arrecadação da Receita Federal em fevereiro e a alta de 0,8% no primeiro bimestre deste ano, os melhores resultados para os períodos em 21 anos. “Evidentemente que daí para frente, com esse recrudescimento da pandemia, com essa nova pancada na economia brasileira, é evidente que devemos sofrer algum impacto na segunda quinzena de março e no mês de abril.”

O ministro apontou o recorde do Fisco, o aumento de 1,04% em janeiro do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) e a criação de 260 mil empregos de carteira assinada no início do ano como indícios de que a economia estava “em plena recuperação após o mergulho profundo que deu sob o impacto da primeira onda da Covid-19” que fez o país registrar queda histórica de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

O chefe da equipe econômica voltou a defender a prioridade de vacinação aos trabalhadores informais e afirmou que o governo tem a “obrigação” de imunizar esse público de aproximadamente 38 milhões de brasileiros em até quatro meses para que eles possam retornar ao trabalho. “É absolutamente imperativo lançar essa camada de proteção para essa população”, afirmou. “Esses não podem ficar em casa em isolamento social tendo a sua sobrevivência garantida, mesmo com a gente fornecendo o auxílio emergencial. São famílias mais frágeis, que tem oito, nove, dez pessoas em uma habitação com um só cômodo.”

Guedes também comentou a diferença de percepção da necessidade do isolamento social pelas classes média e alta e que é preciso evitar a “crueldade do dilema” entre ficar em casa ou sair para trabalhar e se expor ao novo coronavírus. “Nas classes mais baixas há um desejo desesperado pelo trabalho. Mesmo com a cobertura que vamos dar, mais do que nunca temos que evitar a crueldade do dilema que é: ou fique em casa com dificuldades com a manutenção da sobrevivência pessoal, ou vamos sair e arriscar perder a vida pelo Covid.”