Ibovespa cai com discussões sobre auxílio emergencial e frustração no comércio

As discussões para a volta do auxílio emergencial e o risco de que os pagamentos sejam feitos sem contrapartidas para controle de gastos trouxeram apreensão ao mercado financeiro brasileiro nesta quarta-feira, 10. O mau humor foi intensificado após a divulgação da queda recorde de 6,1% no varejo em dezembro de 2020, apesar do ano ter fechado com avanço de 1,2%. Diante deste cenário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou com recuo de 0,87%, aos 118.453 pontos. Na véspera, o pregão encerrou com queda de 0,19%, aos 119.471 pontos. O dólar registrou leve queda de 0,2%, e encerrou a R$ 5,371, também contaminado pelo pessimismo doméstico. A divisa chegou a bater máxima de R$ 5,437, enquanto a mínima não passou de R$ 5,350. Nesta terça-feira, 9, a moeda encerrou com alta de 0,19%, cotada a R$ 5,382. “O ceticismo sobre o rumo das contas públicas com mais um sinal de apoio ao auxílio emergencial sem uma contrapartida de receita, ou seja, contra tudo que foi dito sobre responsabilidade fiscal, segue pressionando o mercado como um todo, uma vez que aumenta o nível de risco e vale lembrar que estamos próximos do topo histórico”, afirmou Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Investidores seguiram acompanhando as discussões para a volta do auxílio emergencial e os riscos que a medida terá para o controle fiscal. O ministro da Economia, Paulo Guedes, acenou nesta quarta-feira que o governo federal manterá o teto de gastos, e afirmou que “nós temos que pagar pelas nossas guerras.” Guedes conversou com jornalistas após o encontro com a presidente da Comissão Mista do Orçamento (CMO), deputada Flávia Arruda (PL-DF), e com o relator do matéria, senador Márcio Bittar (MDB-AC). “Nós temos um compromisso com as futuras gerações do Brasil, nós temos que pagar pelas nossas guerras. Se estamos em guerra com o vírus, nós temos que arcar com essa guerra, e não simplesmente empurrar irresponsavelmente esses custos para as gerações futuras. Esse compromisso de sensibilidade social de um lado, e responsabilidade social de outro, é justamente a marca de um Congresso reformista, de um presidente determinado e de lideranças políticas construtivas que temos hoje no Brasil”, afirmou.

O mercado também foi pego de surpresa pela queda recorde de 6,1% no comércio em dezembro de 2020, na comparação com novembro. Foi o segundo mês seguido de queda. A despeito dos índices negativos, as vendas no comércio encerraram 2020 com avanço de 1,2% ante 2019, o quarto ano seguido de crescimento. Para analistas, o tombo histórico de dezembro é reflexo da antecipação das compras de bens duráveis e semiduráveis durante a pandemia do novo coronavírus, feitas tradicionalmente no fim de ano. A redução das parcelas do auxílio emergencial a partir de setembro, passando de R$ 600 para R$ 300, também influenciou na retração do consumo nos últimos meses do ano. “De acordo com o nosso índice de momentum, o número de setores crescendo a um ritmo significativo nos últimos 6 meses caiu de 69,5% em novembro para 53,2% em dezembro. Vestuário, material de escritório e artigos de uso pessoal e doméstico foram as principais surpresas negativas no mês, embora todos os setores tenham mostrado retração na comparação com novembro. Os piores resultados foram apresentados, em geral, pelos bens semiduráveis”, disse Lisandra Barbero, economista da XP Investimentos.