Ibovespa oscila, apesar de euforia por privatização da Eletrobras; dólar recua

O mercado financeiro brasileiro oscila em meio ao ritmo de recuperação nesta quarta-feira, 24, com avanço das ações da Eletrobras após a entrega da medida provisória de privatização ao Congresso. Próximo das 11h40, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, operava com leve queda de 0,41%, aos 114.754 pontos. O pregão é puxado pelo avanço de 9% dos papéis preferenciais da Eletrobras (ELET6), e 6,7% dos ordinários (ELET3). A Petrobras, que valorizou mais de 10% na véspera, perde fôlego e sobre 0,62% nas ações preferenciais (PETR4), e 0,77% nas ordinárias (PETR3). O cenário também faz o dólar perder força ante o real. A moeda norte-americana registra queda de 0,11% a R$ 5,435. Na máxima, a divisa foi a R$ 5,439, enquanto a mínima não passou de R$ 5,391. O dólar fechou nesta terça-feira com queda de 0,21%, cotado a R$ 5,442.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entregou ao Congresso no início da noite desta terça-feira a medida provisória que autoriza o início dos estudos para a privatização da Eletrobras. Junto de ministros e auxiliares, o presidente foi a pé ao Congresso para apresentar o texto aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O movimento é uma forma do presidente mostrar ao mercado financeiro o comprometimento com a agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, após as turbulências causadas pela sua interferência no comando da Petrobras. Antes, durante um evento de prefeitos em Brasília, Bolsonaro mudou o tom ao falar da estatal e classificou o presidente Roberto Castello Branco, quem ele mandou demitir, de “bom gestor”. O presidente também elogiou Guedes na tentativa de mostrar que as relações com o Posto Ipiranga continuam firmes, apesar da desconfiança dos investidores na mudança da política econômica e com o desgaste de Guedes no governo. “Obviamento, por ser um homem que decide as finanças do governo, ele [Guedes] tem amigos e opositores, mas todo mundo, a todos, ele tratou com muita galhardia”, disse.

Investidores também analisam o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, para 0,48% em fevereiro, segundo números divulgados nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o maior índice para o mês desde 2017, quando a prévia foi de 0,54%, mas mostra a perda de fôlego da inflação ante avanço de 0,78% do IPCA-15 em janeiro. No acumulado do ano, o IPCA acumula alta de 1,26%. Nos últimos 12 meses, o resultado também é positivo: 4,57%. O número é maior do que os 4,30% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. A inflação do mês foi puxada pela alta no preço dos combustíveis, aponta o IBGE. O avanço do IPCA leva economistas enxergarem o aumento da Selic já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), entre 16 e 17 de março. Fontes ouvidas pelo Banco Central esperam que a taxa básica de juros encerre o ano a 4%, conforme Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 22.

Ainda no noticiário doméstico, investidores seguem acompanhando as negociações para a volta do auxílio emergencial. No fim da manhã de ontem, Guedes, cancelou em cima da hora a participação em um evento internacional sobre o ingresso do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o apresentador do evento, o ministro cancelou a fala porque foi chamado ao Congresso para lidar com assuntos emergenciais relacionados à agenda de reformas. O evento estava programado na agenda oficial de Guedes para às 11h. De acordo com a organização, o ministro avisou sobre o cancelamento 30 minutos antes do início do evento.