Ibovespa sobe, apesar de risco fiscal e cenário externo negativo; dólar recua

O mercado financeiro brasileiro começa o último dia do mês com alta, apesar do risco da retomada do auxílio emergencial sem que medidas de austeridade sejam aprovadas no Congresso. No cenário externo, Bolsas nos Estados Unidos e Europa operam em queda por conta da expectativa de aumento da inflação norte-americana. Por volta das 11h10, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, avançava 0,93%, aos 113.300 pontos. O pregão fechou esta quinta-feira, 25, com queda de 2,95% aos 112.256 pontos, o menor patamar desde o início de dezembro. O dólar opera com leve baixa de 0,08%, a R$ 5,509. Na máxima, a divisa norte-americana bateu R$ 5,547, enquanto a mínima não passou de R$ 5,498. A moeda fechou a véspera com alta de 1,72%, cotada a R$ 5,514.

O mercado segue acompanhando as discussões em Brasília para a retomada do auxílio emergencial. A PEC Emergencial, que abre espaço no orçamento para as novas rodadas do benefício, deveria ter sido votada no Senado nesta quinta-feira, 25, mas a votação foi adiada pela falta de consenso entre as lideranças. Também nesta quinta, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, ressaltou que o auxílio deve vir acompanhado das contrapartidas de cortes de gastos obrigatórios. “Sei que o Congresso vai fazer a coisa certa e consegue enxergar isso: que é fundamental andar com as duas coisas [auxílio emergencial e contrapartidas] concomitantemente”, disse. “Para andar com o auxílio, que tem um custo, essa contrapartida, que garante uma sustentabilidade no futuro, é o que vai permitir que as taxas de juros continuem baixas, que o Brasil tenha boa percepção de risco [no mercado financeiro]”, afirmou Funchal. Investidores temem que o texto seja dividido e que o benefício seja liberado antes que o Legislativo chancele as cláusulas de calamidades semelhantes à PEC de Guerra aprovada em 2020 e que tira a despesa do limite do teto de gastos. Lideranças do Congresso se opõem à aprovação de contrapartidas para a liberação do benefício e classificaram a imposição do governo federal como “chantagem.” A expectativa é que o texto seja colocado em votação na próxima terça-feira, 2.

Investidores também analisam o avanço do desemprego para 13,5%, em 2020, o maior desde 2012, segundo dados dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. O Brasil fechou o ano passado com população desocupada de 13,9 milhões de pessoas. O resultado para o ano interrompe a queda na desocupação iniciada em 2018, quando ficou em 12,3%. Em 2019, o desemprego foi de 11,9%. De acordo com o IBGE, o índice recuou para 13,9% no quarto trimestre, depois de atingir 14,6% nos três meses anteriores. Apesar da queda, o número representa crescimento de 19,7% em relação ao mesmo trimestre de 2019, quando o número era de 11,6 milhões de desempregados.