Inflação dos alimentos tem maior alta em 10 anos e cresce 15% no Estado de SP

Quem frequenta o supermercado sabe: encher o carrinho está cada vez mais caro. “Subindo cada dia mais. E a gente tem que começar a improvisar, tirar o supérfluo e comprar o necessário para se manter.” O Mário Augusto é comerciante e diz que tem pesquisado muito atrás das promoções, a mesma estratégia nos relatou a Márcia, que é cozinheira e estava fazendo compras coma filha. “Eu mesma pesquiso, vim de outro lugar para comprar nesse mercado. Está muito caro. Esperei chegar quarta-feira para poder comprar legumes.”

A inflação dos alimentos fechou o ano de 2020 com alta na casa de 15% no Estado de São Paulo. O índice é calculado pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) e de acordo com a entidade o percentual foi o maior dos últimos 10 anos. Na capital, fechamos o ano de 2020 e iniciamos 2021 com a cesta básica custando mais da metade do salário mínimo, de acordo com os dados do Departamento de Estatísticas e estudos Socioeconômicos.

Segundo o economista e professor do Mackenzie, Hugo Garbe, a sensação de “tudo mais caro” é geral no pais. A inflação é explicada pela crise provocada pela pandemia, por produtos com valores atrelados ao dólar e a perda de renda das famílias. “A classe media-baixa e baixa, o peso da cesta básica nessas família é muito alto. O corte do salário nesses famílias é destinado pra alimentação.” Hoje, mobilizações virtuais contra a fome pedem o retorno do antigo auxílio emergencial de R$ 600 durante a nova onda da epidemia do coronavírus. A crise sanitária afeta milhões de pessoas no mundo. Projeções do Banco Mundial dão conta de que até o final deste ano 150 milhões de pessoas voltarão a viver na extrema pobreza, com uma renda diária de cerca de R$ 10.

*Com informações da repórter Carolina Abelin