Inflação vai a 0,83% em maio e acumula alta de 8,06% em 12 meses

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a subir em maio ao registrar alta de 0,83%, ante o avanço de 0,31% em abril, segundo números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 9. Este é o maior registro para o mês desde 1996, quando foi a 1,22%. O indicador oficial da inflação brasileira acumulou alta de 8,06% nos últimos 12 meses encerrados em maio, bastante acima do teto de 5,25% da meta do Banco Central, com centro de 3,75% e piso de 2,25%. No ano, a inflação acumula alta de 3,22%. Em maio de 2020, o índice registrou queda de 0,38% em meio ao processo de desinflação gerado pela pandemia do novo coronavírus. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), visto como a inflação dos mais pobres, avançou 0,96%, acima da taxa de abril, quando havia registrado 0,38%. O indicador, que também é usado como referência pare reajustes do salário mínimo e benefícios do INSS, acumula, no ano, alta de 3,33%, e de 8,9% em 12 meses.

O encarecimento de 5,37% da energia elétrica foi o maior impacto individual no índice do mês. Em maio, passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. “Vale lembrar que, entre janeiro e abril, estava em vigor a bandeira amarela, cujo acréscimo é menor (R$ 1,343). Além disso, no final de abril, ocorreram reajustes em diversas regiões de abrangência do índice”, informou o IBGE. A gasolina registrou aumento de 2,87% em maio depois de retrair 0,44% em abril. Desde o início do ano, o combustível acumula alta de 24,7% e, em 12 meses, de 45,8%. Os preços do gás veicular e do etanol também tiveram forte de alta, de 23,7% e 12,9%, respectivamente. O óleo diesel registrou aumento de 4,61%.

Em entrevista à Jovem Pan, Gustavo Loyola, ex-presidente do BC, afirmou que o pico inflacionário já passou e que a recente queda do dólar, o aumento da taxa de juros e a expectativa de controle dos gastos públicos pelo governo federal deverão trazer o índice para baixo nos próximos meses. Apesar desse alívio, o acumulado no primeiro semestre fará com que a inflação encerre pouco abaixo do teto da meta, próximo de 5%. O mercado financeiro aumentou a projeção para o IPCA em 2021 de 5,31% para 5,44%, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 7. Esta foi a nona revisão seguida para cima. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a Selic, o principal instrumento para o controle da inflação, para 3,5% ao acrescentar mais 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros. O movimento deve se repetir no encontro agendado para os dias 16 e 17 de junho com a mesma dose de acréscimo, jogando a Selic para 4,25% ao ano. A inflação fechou 2020 com alta de 4,52%, o maior valor para o IPCA desde 2016, quando o índice encerrou com alta de 6,29%.