Intenção de consumo cai 2,5% em abril e tem o pior registro para o mês em 11 anos

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu 2,5% em abril e alcançou o patamar de 70,7 pontos, o pior registro para o mês desde o início da série histórica, há 11 anos, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 20, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado foi o menor desde novembro do ano passado, quando atingiu 69,8 pontos. Na comparação com o mesmo mês de 2020, a retração chega a 26,1%. Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o desempenho do mês é reflexo da piora da pandemia do novo coronavírus no país e a reedição de medidas de restrição ao funcionamento do comércio e de serviços. “É um momento de oscilação, de grande incerteza. Isso se reflete no orçamento familiar, já que o agravamento da pandemia, somado à lentidão da vacinação, acaba gerando pessimismo e cautela no consumo”, afirma.

A pesquisa da CNC mostrou queda nos indicadores de renda em consumo em abril, na comparação com mês anterior. Para 41,3% das famílias, a renda está pior do que no ano passado. Em março, a percepção atingia 40,3% dos entrevistados. Já 59,9% afirmaram que o nível de consumo em abril foi menor do que em 2020. No mês anterior, o índice chegava a 58% dos entrevistados, e em abril do ano passado, 46,9%. Também aumentou entre os pesquisados a proporção dos que acreditam que comprar a prazo está mais difícil, registrando 41,7%, o maior percentual desde novembro de 2020, quando o número foi de 42,2%. O levantamento também mostrou que 33,2% dos entrevistados se sente tão seguro com o emprego quanto no ano passado, proporção maior do que os 32,7% registrados em março. Por outro lado, a maior parte das famílias (53,3%) demonstrou perspectiva profissional negativa, o maior percentual desde novembro de 2020 (54,5%), enquanto esta parcela foi de 42,5%, em abril de 2020. “Dessa vez, o mercado de trabalho também refletiu a incerteza das famílias em relação ao enfretamento da crise econômica. Mesmo assim, no que se refere ao curto prazo, permaneceu como o maior indicador do mês. As famílias voltaram a apresentar desconfiança em relação às medidas tomadas pelo governo e à velocidade que a recuperação econômica vai acontecer”, afirma a economista da CNC e responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva.