Pessoas comuns se aventuram no day trade, mas apenas 0,1% têm lucro

Cada vez mais pessoas “comuns” se aventuram na Bolsa de Valores: uma das operações em alta é o day trade, que significa “transação do dia”. No mercado financeiro, esse é o nome que se dá às operações de compra e venda de ações em um mesmo dia ou em um mesmo pregão. Com a facilidade das plataformas online, atualmente, qualquer pessoa pode se tornar um day trader. A planejadora financeira Annalisa Blando, alerta, no entanto, que isso pode ser um risco. Para ela, para fazer investimentos como esse, é necessário ser profissional. “Vai um leigo operar contra um mercado de especialistas. É muito prejudicial. E também, por que a pessoa acaba fazendo isso? Muito pelo efeito manada, que acontece quando a gente está na Black Friday, acontece o tempo inteiro com a gente. O efeito manada se viu nos bitcoins, na price, cresceu demais… O efeito manada faz a gente querer fazer uma prática sem a gente racionalizar, sem ter o conhecimento adequado.”

De acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apenas 0,6% das pessoas que tentam operar day trade de ações persistem na atividade. Além disso, apenas 0,1% delas têm lucro. Annalisa Blando afirma que o recomendado para pessoas sem experiência na área é investir em ações — e mesmo assim, só depois de muito estudo. “Acompanhe o balanço da empresa, acompanhe a empresa, ver o que ela está operando, olhar no mundo real o que ela vende… Se é do varejo, entra na loja, frequenta, compra, entenda aquela empresa. É muito mais adequado a pessoa física e leiga ser uma investidora do que uma especuladora. A especulação é para profissionais.” A especialista alerta que, mesmo colocando pequenos valores no day trade, o investidor pode ter uma falsa sensação de sucesso e acabar se endividando.

* Com informações da repórter Beatriz Manfredini