Planejamento e comportamento podem ajudar a conter gastos na crise, diz especialista 

A família e os amigos do André já sabem: dificilmente ele sai da linha quando o assunto é dinheiro. Todos os meses, ele tenta separar o salário religiosamente: 50% do valor vai para despesas fixas, 30% para gastos pessoais e hobbies e 20% para investimentos. Na hora das compras, mesmo quando quer muito alguma coisa, André não deixa o controle financeiro de lado. Ele conta que o começo pode ser complicado, mas que o importante é tornar o planejamento um hábito. “Antes de comprar alguma coisa, eu penso se aquilo ali é realmente necessário. Ou se eu quero aquilo ali por puro prazer. Se for por puro prazer, eu posso deixar para depois ou até mesmo nem comprar. Se for necessário, eu vou pesquisar e ver onde é mais barato. Eu acho vale a pena, sim, porque não gera tanto esforço assim e no final das contas o beneficiado sou eu mesmo. Então, não tem motivos para não fazer.”

Atitudes como a de André podem ajudar tanto quem está com as finanças em dia como as pessoas em inadimplência. Especialista em economia comportamental, Flávia Ávila afirma que é preciso saber exatamente de qual segmento tirar dinheiro e em qual colocar. “Você detectar um pouquinho seus padrões de comportamento e amarrar as mãos. Você pode configurar o cartão automático de alguns aplicativos, criar pontos de decisão. Hoje é tudo muito fácil para gastar, em um clique você gasta para caramba. Deixe difícil o que é ruim para você e crie essas barreiras. O que tem que fazer de bom, tire as barreiras. Deixe o mais fácil possível para fazer sempre.” O total de brasileiros com contas em atraso chegou a 63 milhões em abril. O número de devedores é o maior desde agosto de 2020, com 39,5% da população adulta nesta situação. De acordo com a Serasa Experian, o ano de 2021 já acumula 1,620 milhão de pessoas que deixaram de pagar as dívidas e acabaram sendo negativadas.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini