Prévia da inflação sobe 0,93% em março, o maior valor para o mês em 6 anos

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, avançou 0,93% em março, ante alta de 0,48% em fevereiro, o maior valor registrado para o mês desde 2015, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta quinta-feira, 25. A alta foi puxada pelo aumento dos combustíveis, principalmente pelo encarecimento da gasolina. Já o IPCA-E, o acumulado do índice no trimestre, foi de 2,21%, a maior taxa para um primeiro trimestre desde 2016, quando foi de 2,79%. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 aponta alta de 5,52%. Em março de 2020, a taxa foi de 0,02%.

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, oito apresentaram alta. O avanço foi liderado pelo setor de transportes, com variação de 3,79% em março ante 1,11% no mês anterior, sobretudo pelo aumento de 11,6% no preço dos combustíveis. A gasolina registrou variação de 11,1%, o nono mês consecutivo de alta, enquanto etanol registrou avanço de 16,3% e o diesel de 10,6%. O setor de habitação registrou o segundo maior impacto ao IPCA-15 no mês de março, liderado pelo aumento de 4,6% do gás de botijão, a 10ª alta seguida. Já a categoria de alimentos, a principal vilã da alta de 4,5% da inflação em 2020, variou 0,12%, desacelerando em comparação com ao 0,56% registrado em fevereiro. Os alimentos para consumo no domicílio caíram 0,03% após sete meses consecutivos de alta.

O medidor oficial da inflação brasileira foi a 5,2% nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro e encostou no teto da meta de 5,25% perseguida pelo Banco Central, com centro de 3,75% e mínimo de 2,75%. O aumento do IPCA a partir do último trimestre de 2020 era visto como choque temporário e localizado, porém, a constância da escalada levou analistas a preverem o índice a 4,71% ao fim de 2021, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 22. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reajustou a Selic, a principal ferramente para controle da inflação, em 2,75% na semana passada, o primeiro movimento de alta em quase seis anos. O colegiado manteve a opinião que a recente escalada da inflação é reflexo de choque temporários, mas que “segue atento à sua evolução.” “A continuidade da recente elevação no preço de commodities internacionais em moeda local tem afetado a inflação corrente e causou elevação adicional das projeções para os próximos meses, especialmente através de seus efeitos sobre os preços dos combustíveis.”