Prévia do PIB surpreende e avança 1,7% em fevereiro, aponta Banco Central

Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) cresceu 1,7% em fevereiro na comparação com o mês anterior na série livre de influências sazonais, divulgou a autoridade monetária nacional nesta segunda-feira, 19. O resultado, acima do esperado pelo mercado, representa o décimo mês seguido de avanço do indicativo considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e aponta o fortalecimento da atividade econômica brasileira no primeiro bimestre, apesar do recrudescimento da pandemia do novo coronavírus. Na comparação com fevereiro de 2020, o indicativo registra alta de 0,98%, enquanto no último trimestre móvel, o IBC-Br avançou 3,13%, alta de 0,68% no paralelo com o mesmo período em 2020. No ano, a prévia do PIB registrou alta de 0,23%, já nos últimos 12 meses o indicativo acumula queda de 4,02%.

Apesar da alta nos dois primeiros meses do ano, analistas enxergam a queda no índice a partir de março com o impacto da retomada de medidas de restrição ao funcionamento de comércio e serviços. “Estimamos (de forma preliminar) que o IBC-Br tenha contraído 5,7% entre fevereiro e março, após ajuste sazonal. Apesar da queda significativa estimada para março, o indicador do Banco Central mostraria expansão ao redor de 1,0% no 1º trimestre de 2021, em comparação ao 4º trimestre de 2020, já descontados os efeitos sazonais”, afirma Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos. “Por ora, estimamos crescimento de 0,2% para o PIB no 1º trimestre de 2021, em relação ao último trimestre de 2020 (também após ajuste sazonal). Na comparação com o 1º trimestre do ano passado, por sua vez, nossos cálculos preliminares indicam declínio de 0,7%.”

O IBC-Br é visto pelos analistas como um antecedente do PIB, mesmo que a metodologia usada pelo Banco Central seja diferente da empregada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela divulgação da atividade econômica nacional a cada três meses. Enquanto a análise do BC leva em consideração variáveis dos setores de serviço, indústria e agronegócio, o resultado do IBGE é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. A economia brasileira teve queda histórica de 4,1% em 2020, influenciada principalmente pela pandemia da Covid-19 e a retração da economia mundial por conta das restrições da circulação de produtos e pessoas.