Pesquisadores da Universidade Católica de Brasília estão impulsionando uma nova fase na convergência entre economia criativa e tecnologia de imersão, com foco na construção de experiências inovadoras que transformam a forma como públicos interagem com conteúdos culturais e artísticos em ambientes digitais e reais. A iniciativa representa um movimento acadêmico que ultrapassa fronteiras tradicionais de pesquisa, integrando linguagem poética, audiovisual e realidade virtual para criar vivências que aproximam o usuário de contextos culturais antes inacessíveis. Essa abordagem evidencia a importância de conectar setores criativos com ferramentas tecnológicas capazes de ampliar a participação social nas manifestações culturais contemporâneas.
No centro dessa estratégia está um mini documentário interativo que transporta o espectador ao universo cultural do povo Yawanawa, no Acre, criando uma sensação de presença que antes só seria possível em visita física. O projeto é fruto de uma pesquisa que combina observação antropológica e experimentação com tecnologias de última geração, e demonstra como narrativas imersivas podem reforçar a compreensão de grupos tradicionais e sua riqueza cultural. A iniciativa faz parte de um conjunto mais amplo de trabalhos que refletem uma visão integrada de cultura, conhecimento e tecnologia, ampliando o papel social da academia no estímulo à inovação criativa.
O uso de tecnologias de imersão vem sendo tratado pelos pesquisadores como uma ferramenta central para mediação cultural em contextos cada vez mais digitais, onde a presença física nem sempre é possível. Nesse cenário, espaços virtuais e ambientes imersivos surgem como plataformas capazes de transportar o público para novas dimensões de experiência sensorial e cognitiva. A construção desses ambientes envolve desafios técnicos e criativos, exigindo abordagens multidisciplinares e colaboração entre especialistas em comunicação, arte e ciência da computação, além de diálogo constante com comunidades representadas.
Além das experiências audiovisuais, a universidade também trabalha na criação de um observatório voltado ao estudo e promoção da economia criativa, com o objetivo de fortalecer pesquisas e gerar dados que possam orientar políticas públicas e iniciativas privadas. Este observatório busca atrair parcerias internacionais para ampliar o alcance do trabalho acadêmico e gerar cooperação com instituições de países como França, Espanha e Portugal. A perspectiva é estabelecer uma rede de colaboração que apoie projetos inovadores e favoreça intercâmbio de conhecimento em torno da produção cultural mediada pela tecnologia.
A combinação entre tecnologia de imersão e economia criativa também está sendo explorada por meio de laboratórios de realidade virtual e ferramentas de realidade ampliada, que funcionam como plataformas de desenvolvimento e experimentação prática. Esses espaços permitem que pesquisadores e estudantes testem ideias, experimentem novas formas de narrativa e criem protótipos de experiências que dialogam com públicos variados. A presença de infraestrutura tecnológica avançada na universidade posiciona o centro acadêmico como um importante polo de inovação no Distrito Federal.
Uma característica marcante desse trabalho é a utilização da linguagem poética como elemento estruturante das experiências tecnológicas, o que contribui para uma aproximação mais sensível e humana com o público. Essa escolha evita que a tecnologia seja entendida apenas como ferramenta técnica, valorizando sua capacidade de provocar emoção, reflexão e conexão com conteúdos culturais significativos. Ao colocar a linguagem poética no centro dos projetos, os pesquisadores reforçam a ideia de que a imersão vai além da visualização e se torna um processo de envolvimento profundo.
Paralelamente aos projetos de pesquisa, a UCB investe em ações de extensão que visam difundir o conhecimento produzido para além do ambiente acadêmico, alcançando professores, profissionais da cultura e o público em geral. São desenvolvidos cursos e oficinas que ajudam a capacitar diferentes públicos no uso de tecnologias digitais aplicadas às práticas criativas, fortalecendo assim a relação entre universidade e sociedade. Ao ampliar o acesso a essas ferramentas, a instituição contribui para a formação de uma comunidade mais preparada para os desafios da economia criativa contemporânea.
A intensidade desses trabalhos indica que a interseção entre economia criativa e tecnologia de imersão tende a se consolidar como um campo de atuação relevante para o desenvolvimento cultural e econômico no Brasil. O processo em curso na UCB demonstra que universidades podem ser polos de inovação não apenas na produção científica tradicional, mas também na criação de soluções que estimulem a participação cultural, integrem comunidades diversas e promovam experiências enriquecedoras para públicos amplos. Essa perspectiva abre caminhos para que outras instituições e atores sociais colaborem na construção de um ecossistema criativo e tecnológico mais dinâmico e inclusivo.
Autor: Katryna Rexyza

