Segundo o Doutor Valdemir Ferreira Santos, a linguagem utilizada nas decisões judiciais precisa equilibrar precisão técnica e clareza, especialmente porque o conteúdo produzido pelo Judiciário também chega a pessoas sem formação jurídica. Conceitos, normas e argumentos complexos fazem parte da atividade judicial, mas sua apresentação precisa permitir que o leitor identifique os fundamentos e compreenda o caminho seguido até determinada conclusão.
Leia mais a seguir!
Por que a linguagem jurídica pode ser difícil de compreender?
O Direito possui um vocabulário próprio, formado por conceitos que muitas vezes carregam significados específicos. Determinados termos não podem simplesmente ser substituídos por palavras cotidianas, pois sua utilização está relacionada à precisão necessária para identificar institutos, procedimentos e consequências jurídicas. A dificuldade aparece quando esse vocabulário técnico é acompanhado por construções excessivamente complexas. Nesse cenário, preservar a exatidão dos conceitos sem tornar o conteúdo desnecessariamente difícil de compreender passa a ser uma preocupação importante na redação jurídica.
Períodos muito longos, expressões pouco utilizadas fora do ambiente jurídico e referências apresentadas sem explicação podem aumentar a distância entre o conteúdo da decisão e seu destinatário. Nesse caso, o problema não está necessariamente na complexidade do assunto, mas na maneira como as informações são organizadas e apresentadas ao longo do texto. Uma estrutura mais direta pode facilitar a identificação dos argumentos centrais sem eliminar os termos técnicos indispensáveis para a correta compreensão jurídica da questão.
Na atividade profissional relacionada à trajetória do Doutor Valdemir Ferreira Santos, a linguagem integra o próprio exercício da magistratura. Uma decisão precisa registrar fundamentos jurídicos e analisar as particularidades do processo, mas também deve permitir que seu raciocínio seja acompanhado. É justamente nesse encontro entre técnica e comunicação que surge um dos desafios cotidianos da escrita judicial. Quanto mais clara for a exposição dos fundamentos, mais fácil se torna compreender a sequência de argumentos utilizada para chegar à conclusão apresentada.
Simplificar significa retirar a precisão do Direito?
Uma linguagem mais compreensível não exige eliminar conceitos jurídicos indispensáveis, destaca o Doutor Valdemir Ferreira Santos. A simplificação pode ocorrer pela organização das ideias, pela explicação de termos quando necessário e pela construção de frases mais diretas. Dessa maneira, o conteúdo técnico permanece presente, enquanto barreiras linguísticas que não acrescentam precisão podem ser reduzidas.

Também existe diferença entre simplificar a linguagem e simplificar o raciocínio. Determinados processos envolvem questões que realmente exigem análises extensas e conceitos especializados. Nesses casos, reduzir excessivamente a explicação poderia comprometer a compreensão dos próprios fundamentos utilizados. O objetivo, portanto, não é tornar toda decisão curta, mas fazer com que sua complexidade seja proporcional ao problema examinado.
Como a organização do texto melhora uma decisão?
Uma decisão compreensível depende não apenas das palavras escolhidas, mas da sequência em que as informações aparecem. Apresentar inicialmente a questão que precisa ser resolvida, identificar os elementos relevantes e desenvolver os fundamentos de maneira lógica facilita o acompanhamento do raciocínio. O leitor consegue perceber de onde a análise partiu e como chegou à conclusão. Essa sequência também ajuda a estabelecer uma relação mais clara entre os fatos apresentados, as normas aplicadas e o resultado alcançado.
A organização também ajuda a evitar repetições. Quando fatos, argumentos e fundamentos aparecem misturados diversas vezes, a extensão aumenta sem necessariamente ampliar a informação disponível. Separar adequadamente essas etapas pode tornar o texto mais objetivo, sem retirar elementos necessários para justificar juridicamente o resultado. Com uma estrutura definida, cada parte da decisão cumpre uma função específica e contribui para a compreensão do conteúdo sem acrescentar informações redundantes.
Na prática, clareza estrutural e fundamentação podem atuar conjuntamente, comenta o Doutor Valdemir Ferreira Santos. Uma argumentação bem organizada permite demonstrar quais questões foram consideradas e por que determinados fundamentos foram utilizados. Assim, melhorar a comunicação não representa uma preocupação meramente estética, mas uma forma de tornar o conteúdo jurídico mais identificável. Isso permite que as partes acompanhem com maior facilidade o percurso argumentativo e reconheçam os elementos que sustentaram a conclusão do magistrado.
