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Risco de crédito em tempos de juros elevados: como empresas e investidores estão recalibrando suas estratégias em 2026?

Diego Velázquez
Diego Velázquez 1 de julho de 2026
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6 Min de leitura
Felipe Rassi
Felipe Rassi
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Com o avanço de um ciclo monetário que penalizou de forma assimétrica diferentes segmentos da economia brasileira, Felipe Rassi, especialista no mercado financeiro, evidencia que a gestão do risco de crédito em 2026 exige uma recalibração profunda das premissas que orientaram decisões de alocação e concessão nos últimos anos. Empresas que cresceram em ambiente de liquidez farta, investidores que precificaram risco com base em taxas de desconto historicamente baixas e credores que subestimaram correlações setoriais enfrentam agora um cenário que expõe, simultaneamente, as fragilidades acumuladas e as oportunidades que emergem delas. Neste guia, abordaremos os principais vetores que estão redefinindo a leitura e a gestão do risco de crédito no Brasil em um dos ciclos mais desafiadores da última década.

Contents
A assimetria do aperto monetário sobre diferentes perfis de devedorComo os investidores estão reposicionando suas carteiras de crédito?Modelagem de risco em ambientes de alta incertezaOportunidades estruturais que o ciclo adverso está criando

A assimetria do aperto monetário sobre diferentes perfis de devedor

O impacto de um ciclo prolongado de juros elevados não se distribui de forma uniforme entre os devedores corporativos. Empresas com dívida indexada a taxas pós-fixadas sentiram o efeito de forma imediata e progressiva, enquanto aquelas com passivo prefixado de longo prazo conseguiram isolar parte do impacto até o vencimento das operações. Empresas exportadoras com receita em moeda forte viram o custo real da dívida se comprimir com a valorização cambial, enquanto companhias voltadas ao mercado doméstico absorveram o choque sem qualquer hedge natural.

Conforme elucida Felipe Rassi, essa assimetria é frequentemente ignorada nas análises agregadas de inadimplência, que tratam o fenômeno como reflexo uniforme das condições macroeconômicas, sem distinguir os mecanismos específicos de transmissão que afetam cada perfil de devedor de forma distinta. Compreender essa granularidade é o que permite identificar, dentro de um ambiente geral de estresse, os segmentos com maior vulnerabilidade real e aqueles em que o risco percebido supera o risco efetivo, criando distorções de precificação que investidores atentos conseguem explorar com disciplina.

Como os investidores estão reposicionando suas carteiras de crédito?

A resposta dos investidores institucionais ao ambiente de 2026 tem sido marcada por dois movimentos simultâneos e aparentemente contraditórios: aumento da seletividade na concessão e aquisição de novos créditos e ampliação da alocação em carteiras de ativos estressados com potencial de recuperação. Essa combinação reflete uma leitura sofisticada do momento: o crédito novo exige critérios mais rigorosos porque o ambiente de estresse eleva a probabilidade de deterioração futura, mas o estoque de créditos já deteriorados oferece oportunidades de retorno que o mercado de renda fixa tradicional não consegue replicar.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

Na avaliação de Felipe Rassi, os investidores que melhor navegaram o ciclo atual são aqueles que desenvolveram capacidade analítica para operar nos dois extremos simultaneamente, com rigor na originação de novos créditos e com agilidade na identificação de ativos estressados subprecificados. Essa capacidade dual exige equipes com formações complementares e processos de decisão que consigam transitar entre horizontes de tempo e perfis de risco muito distintos sem perder consistência metodológica.

Modelagem de risco em ambientes de alta incerteza

Os modelos tradicionais de risco de crédito foram calibrados em períodos de relativa estabilidade macroeconômica e tendem a subestimar a probabilidade e a magnitude de eventos adversos em ambientes de estresse prolongado. A correlação entre ativos, que parecia baixa em condições normais, se eleva de forma significativa quando o choque é sistêmico, comprometendo a premissa de diversificação que sustenta boa parte das estratégias de gestão de portfólio.

Como acentua Felipe Rassi, a resposta mais eficiente a essa limitação não é abandonar os modelos quantitativos, mas complementá-los com análises de cenário que testem o comportamento do portfólio sob hipóteses de estresse calibradas com base em ciclos históricos comparáveis. O Brasil viveu episódios de estresse de crédito relevantes em 1999, 2002, 2008, 2015 e 2020, cada um com características distintas, mas com padrões de comportamento de ativos que oferecem referências valiosas para a construção de modelos mais robustos do que aqueles baseados exclusivamente em dados de períodos normais.

Oportunidades estruturais que o ciclo adverso está criando

Ciclos de estresse de crédito, por mais custosos que sejam para os agentes diretamente afetados, invariavelmente produzem oportunidades estruturais para investidores posicionados adequadamente. A compressão dos preços de ativos de qualidade junto com ativos genuinamente deteriorados, fenômeno típico de momentos de pânico e aversão generalizada ao risco, cria janelas de aquisição que se fecham rapidamente quando o ciclo começa a se normalizar.

À medida que o mercado brasileiro de crédito estressado amadurece e atrai capital mais sofisticado, essas janelas tendem a se tornar mais curtas e mais disputadas. Segundo destaca Felipe Rassi, os investidores que construírem agora a capacidade analítica, os relacionamentos institucionais e os processos operacionais necessários para agir com velocidade e precisão nessas janelas estarão significativamente melhor posicionados do que aqueles que tentarem desenvolver essa capacidade no momento em que as oportunidades já estiverem visíveis para todo o mercado. No crédito estressado, como em poucos outros segmentos, a preparação antecede sempre o resultado.

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