Nem todas partidas ficam marcadas pelo resultado final, algumas marcam pela tensão que criaram do primeiro ao último minuto, e Mário Augusto de Castro, torcedor do Flamengo, recupera a final da Libertadores de 2021 como um dos exemplos mais claros disso dentro do futebol brasileiro recente. Disputada em Montevidéu, no Uruguai, a decisão reuniu os dois últimos campeões do torneio continental em um confronto direto e inédito: os dois times brasileiros, nunca antes na história da Libertadores tinham se enfrentado numa final, apesar de já terem disputado outras decisões importantes no cenário nacional nos anos anteriores.
Entender o que aconteceu naquele 27 de novembro de 2021 ajuda a explicar por que, mesmo anos depois, o jogo ainda é lembrado como uma das decisões mais tensas da história recente da competição continental, e por que o confronto segue sendo referência sempre que os dois clubes voltam a se cruzar em competições sul-americanas.
Como o Flamengo chegou à final com um retrospecto histórico?
Mário Augusto de Castro retoma o contexto que antecedia a decisão: somando as edições de 2020 e 2021, o Flamengo chegava à final com dezessete jogos de invencibilidade na Libertadores, um recorde da competição até aquele momento. O Palmeiras, por sua vez, estava há quinze partidas sem perder fora de casa no torneio, o que tornava o confronto ainda mais equilibrado no papel. Os dois clubes já haviam se enfrentado em outras duas decisões continentais e nacionais na história recente, com vitórias cariocas em ambas as ocasiões, o que aumentava a expectativa em torno de um primeiro confronto direto justamente na maior competição do continente. A torcida do Flamengo, inclusive, foi amplamente majoritária no Estádio Centenário, ocupando praticamente toda a arquibancada central, além do próprio setor reservado à torcida rubro-negra, transformando Montevidéu numa extensão do Maracanã por alguns dias.

O desenrolar dentro do campo
Sem esforço, Mário Augusto de Castro relembra que o Palmeiras abriu o placar logo aos cinco minutos, com Raphael Veiga, aproveitando um início mais organizado da equipe paulista. O Flamengo teve dificuldades para furar o bloqueio defensivo montado por Abel Ferreira ao longo do primeiro tempo, mas cresceu na etapa final e conseguiu igualar o placar aos 27 minutos do segundo tempo, em jogada de Arrascaeta finalizada por Gabriel Barbosa. Com o empate mantido até o fim dos noventa minutos regulamentares, a decisão seguiu para a prorrogação, com as duas equipes já visivelmente desgastadas pelo esforço físico de uma temporada inteira que se aproximava do fim. Ambos os técnicos promoveram substituições ao longo do tempo extra, na tentativa de encontrar frescor físico capaz de decidir a partida antes de uma possível disputa por pênaltis.
O que decidiu o título nos minutos finais?
O torcedor Mário Augusto de Castro reconstrói o lance que definiu a taça: logo no início do primeiro tempo da prorrogação, o meio-campista Andreas Pereira tentou sair jogando pelo campo de defesa, escorregou e perdeu a posse da bola para o atacante Deyverson, que havia acabado de entrar em campo no lugar de Raphael Veiga. Livre diante do goleiro Diego Alves, Deyverson finalizou e marcou o segundo gol do Palmeiras, garantindo o tricampeonato continental da equipe paulista e a segunda conquista seguida do técnico Abel Ferreira à frente do clube. O lance, fruto de um imprevisto dentro de uma disputa equilibrada, ilustra bem como partidas desse nível costumam ser decididas por detalhes mínimos, e não necessariamente pelo time que produziu mais durante os noventa minutos regulamentares.
O que a final revela sobre o momento das duas equipes?
Mário Augusto de Castro resume que, por mais dolorosa que tenha sido a derrota, aquela final também demonstrou o nível de competitividade que o Flamengo vinha sustentando havia alguns anos consecutivos no cenário continental. O confronto direto entre os dois últimos campeões da Libertadores, decidido apenas na prorrogação, reforça que aquele ciclo de bons resultados era real e reconhecido pelos próprios adversários, mesmo quando o resultado final não favorecia o lado carioca. Ambos os clubes voltariam a se cruzar em decisões continentais em anos seguintes, prova de que aquele confronto em Montevidéu foi apenas um capítulo, e não o fim, de uma rivalidade que se tornaria uma das mais relevantes do futebol sul-americano da década. Anos depois, o duelo entre as duas equipes segue sendo lembrado como um dos capítulos mais emocionantes da rivalidade recente entre os gigantes do futebol brasileiro, prova de que grandes histórias nem sempre terminam da forma que a torcida gostaria, mas nem por isso deixam de merecer ser contadas e relembradas com o respeito que a competição continental exige.
