Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a passagem dos anos pode alterar a disposição, a mobilidade e até a forma como uma pessoa organiza o próprio dia, mas abandonar hábitos saudáveis pode ampliar dificuldades que acompanham o envelhecimento. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, convivência social e acompanhamento preventivo têm papel importante na preservação da capacidade funcional e da autonomia.
Quer entender como o abandono de hábitos saudáveis pode afetar a força, a autonomia e a qualidade de vida na velhice? Leia mais a seguir e descubra quais mudanças na rotina merecem atenção.
Por que o corpo sente mais quando a rotina muda?
O envelhecimento é acompanhado por mudanças na massa muscular, no metabolismo e na capacidade de recuperação após períodos de inatividade. Quando uma pessoa reduz drasticamente seus movimentos, por exemplo, pode perder força e resistência, tornando tarefas simples mais cansativas. O problema pode começar de maneira discreta e aparecer primeiro na rotina. A partir desse panorama, perceber uma redução progressiva da disposição pode ser importante para avaliar se houve apenas uma mudança de hábito ou alguma alteração funcional.
Uma pessoa que costumava caminhar diariamente pode passar a evitar saídas porque sente mais cansaço. Com menos movimento, sua capacidade física pode diminuir ainda mais. Aos poucos, atividades como subir escadas, carregar compras ou levantar de uma cadeira podem exigir mais esforço, criando um ciclo difícil de interromper. Quanto maior a redução das atividades, maior pode ser o impacto sobre a força e a confiança para continuar se movimentando.
Assim como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, isso não significa que qualquer mudança de hábito produzirá necessariamente uma doença. O ponto é que a redução de atividades importantes pode diminuir reservas físicas que ajudam o organismo a enfrentar imprevistos. Por essa razão, preservar hábitos possíveis e adequados à realidade de cada pessoa pode ser especialmente relevante durante o envelhecimento. A rotina precisa considerar as condições individuais, respeitando limitações existentes sem transformar o envelhecimento em motivo para abandonar o movimento.
O abandono da atividade física pode afetar a autonomia? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela
A atividade física tem relação direta com força, equilíbrio, mobilidade e resistência. Na terceira idade, esses elementos contribuem para a realização de tarefas cotidianas e podem ajudar a manter a independência por mais tempo. Não se trata de buscar desempenho esportivo, mas de preservar capacidades necessárias para a vida diária. Manter algum nível de movimento também pode favorecer a confiança para realizar atividades que fazem parte da rotina.

Quando o movimento desaparece da rotina, algumas pessoas passam a depender mais de familiares. Primeiro, pode ser necessário auxílio para tarefas mais pesadas. Depois, a própria insegurança pode levar o idoso a evitar determinadas atividades. O medo de cair, por exemplo, pode fazer com que ele deixe de sair de casa, caminhar ou utilizar determinados espaços. Essa redução progressiva da movimentação pode limitar ainda mais as oportunidades de preservar força, equilíbrio e autonomia.
Doutor Yuri Silva Portela argumenta, sob o viés da geriatria, que preservar a funcionalidade constitui uma dimensão importante do cuidado com a pessoa idosa. Por isso, o propósito de manter uma rotina ativa não precisa ser buscar grandes metas, sendo suficiente conservar, respeitando as possibilidades individuais, movimentos e atividades que tenham significado para aquela pessoa. Ao adequar as atividades às condições de saúde e às limitações existentes, a prática pode tornar-se mais segura e sustentável ao longo do tempo.
Alimentação também pode mudar com o envelhecimento
Outro hábito que pode ser prejudicado é a alimentação. Alterações no paladar e no olfato, dificuldades para mastigar, redução do apetite, limitações financeiras ou simplesmente a falta de disposição para preparar refeições podem fazer com que a alimentação fique menos variada. Observar essas mudanças é importante, especialmente quando elas persistem e começam a interferir no peso, na disposição ou na rotina do idoso.
O problema é que comer menos ou escolher alimentos pouco nutritivos de maneira frequente pode contribuir para a perda de peso e de massa muscular, informa o Doutor Yuri Silva Portela. Em uma pessoa idosa, isso pode repercutir na força e na capacidade de realizar atividades cotidianas, principalmente quando já existem outras condições de saúde. Em síntese, alterações persistentes na alimentação merecem atenção e podem indicar a necessidade de avaliar suas causas e os impactos sobre a saúde.
