Alexandre Costa Pedrosa percebe a relação entre neurodivergência, tomada de decisão e sobrecarga mental como um fenômeno presente no cotidiano de muitas pessoas, embora nem sempre seja identificado com clareza. Em ambientes marcados por excesso de estímulos, cobranças constantes e necessidade de respostas rápidas, o processo decisório tende a se tornar cada vez mais desgastante. Para pessoas neurodivergentes, esse cenário pode intensificar o esforço cognitivo necessário para organizar escolhas e lidar com responsabilidades diárias de forma contínua.
A tomada de decisão, nesse contexto, ultrapassa a ideia de optar entre alternativas simples. Ela envolve interpretar informações, antecipar consequências, regular emoções e responder a expectativas externas ao mesmo tempo. Quando esse processo ocorre de maneira contínua, sem pausas ou estratégias de apoio, a sobrecarga mental se instala de forma progressiva, afetando foco, disposição e qualidade de vida no médio prazo.
Como a neurodivergência influencia o processo decisório
Segundo Alexandre Costa Pedrosa, pessoas neurodivergentes podem vivenciar a tomada de decisão de forma mais intensa, especialmente diante de múltiplas opções apresentadas simultaneamente. Dificuldades em filtrar informações, necessidade ampliada de previsibilidade ou sensibilidade maior a riscos tornam o ato de decidir cognitivamente mais custoso. O cérebro permanece em constante avaliação, o que aumenta o consumo de energia mental ao longo do dia.
Em muitos casos, decisões consideradas simples exigem planejamento detalhado e reflexão prolongada. Esse funcionamento não está relacionado à incapacidade, mas a formas distintas de processamento. Reconhecer essa diferença contribui para reduzir julgamentos equivocados e cria espaço para decisões mais conscientes, respeitando tempos individuais e limites emocionais.
Sobrecarga mental e acúmulo de estímulos no dia a dia
Alexandre Costa Pedrosa evidencia que a sobrecarga mental costuma surgir a partir do acúmulo contínuo de estímulos e demandas. Ambientes ruidosos, prazos curtos, múltiplas tarefas simultâneas e interrupções frequentes dificultam a organização interna, especialmente quando não há possibilidade de pausa ou reorganização. Esse cenário mantém o cérebro em estado de alerta prolongado, prejudicando a recuperação cognitiva.
Com o tempo, esse estado gera fadiga cognitiva, irritabilidade e dificuldade de concentração. A mente perde eficiência na priorização de tarefas, o que aumenta a sensação de confusão e desgaste emocional. Quando não reconhecida, essa sobrecarga é frequentemente interpretada de forma equivocada, aprofundando o impacto psicológico.

Estratégias de organização e redução do esforço cognitivo
De acordo com Alexandre Costa Pedrosa, reduzir a sobrecarga mental envolve reorganizar tanto o ambiente quanto a forma como decisões são apresentadas no cotidiano. Estruturar rotinas previsíveis, diminuir o número de escolhas simultâneas e utilizar listas, agendas ou recursos visuais ajuda a reduzir o esforço cognitivo necessário para cada decisão, tornando o dia a dia mais funcional.
A previsibilidade exerce papel fundamental nesse processo. Quando o indivíduo sabe o que esperar, o cérebro consome menos energia lidando com incertezas. Essas estratégias não eliminam a necessidade de decidir, mas tornam o processo mais organizado, contribuindo para maior clareza mental e estabilidade emocional ao longo do tempo.
Tomada de decisão, autonomia e bem-estar emocional
Assim, Alexandre Costa Pedrosa conclui que apoiar a tomada de decisão não significa limitar autonomia, mas criar condições para que escolhas ocorram com menor custo emocional. Ambientes que respeitam diferentes tempos de processamento e oferecem informações claras favorecem decisões mais seguras e alinhadas às necessidades individuais, sem gerar pressão excessiva.
Quando a sobrecarga mental é reduzida, a pessoa passa a se engajar com mais clareza nas próprias escolhas, fortalecendo autoestima e senso de controle sobre a rotina. A compreensão dessa relação contribui para práticas mais inclusivas e para um cotidiano mais equilibrado, tanto em contextos familiares quanto profissionais.
Autor: Katryna Rexyza

