Tiago Schietti é um dos profissionais do setor funerário brasileiro que acompanha com atenção o avanço das urnas biodegradáveis como alternativa concreta ao modelo tradicional de sepultamento e cremação. Essa inovação, que une respeito ao meio ambiente com dignidade no processo de despedida, começa a ganhar espaço em um mercado historicamente resistente a mudanças.
Neste artigo, você vai entender o que são as urnas biodegradáveis, por que elas representam uma tendência relevante, quais são os desafios para sua adoção no Brasil e como o setor funerário pode se posicionar diante dessa transformação.
O que são urnas biodegradáveis e como elas funcionam?
As urnas biodegradáveis são recipientes fabricados a partir de materiais orgânicos, como bambu, fibra de coco ou amido de milho, projetados para se decompor naturalmente no solo em um período relativamente curto. Diferente das urnas convencionais, que utilizam materiais sintéticos ou madeiras tratadas com produtos químicos, esses modelos permitem que os restos mortais retornem ao ciclo natural da terra sem deixar resíduos nocivos ao ambiente.
Tiago Oliva Schietti aponta: o funcionamento é simples e eficiente. Após o sepultamento, a urna inicia seu processo de decomposição junto ao corpo ou às cinzas, devolvendo nutrientes ao solo de forma gradual. Alguns modelos incorporam sementes em sua estrutura, permitindo que uma árvore ou planta brote a partir do local do sepultamento, o que transforma o ato de despedir-se em um gesto concreto de continuidade e renovação.
Por que as urnas biodegradáveis representam uma tendência global?
A crescente preocupação ambiental transformou os hábitos de consumo em praticamente todos os setores da economia, e o funerário não ficou de fora dessa mudança. Em países como Estados Unidos, Holanda e Reino Unido, a demanda por alternativas ecológicas ao sepultamento convencional cresceu de forma expressiva na última década, impulsionada por consumidores que desejam que seus valores ambientais se estendam até as decisões relacionadas ao fim da vida.

Tiago Schietti observa que essa tendência começa a se manifestar também no Brasil, especialmente entre públicos urbanos com maior consciência ambiental e abertura para novas formas de rituais fúnebres. A combinação entre o crescimento da cremação e o interesse por práticas mais sustentáveis cria um ambiente favorável para que as urnas biodegradáveis ocupem um espaço cada vez mais relevante no mercado nacional.
Quais são os desafios para a adoção dessas urnas no Brasil?
Apesar do potencial, a adoção das urnas biodegradáveis no Brasil ainda enfrenta obstáculos concretos. O primeiro deles é regulatório: a legislação funerária brasileira varia entre municípios e estados, e nem sempre contempla com clareza os critérios para o uso de materiais alternativos em sepultamentos. Essa lacuna regulatória cria insegurança tanto para os fornecedores quanto para os cemitérios que desejam oferecer essa opção às famílias.
Tiago Oliva Schietti aponta que outro desafio importante é cultural. Parte significativa da população ainda associa a qualidade do funeral ao padrão visual e à durabilidade dos materiais utilizados, o que torna a apresentação das urnas biodegradáveis um exercício de comunicação cuidadosa. Explicar que a escolha ecológica não representa menor respeito ao falecido é uma etapa essencial para ampliar a aceitação desse produto no mercado brasileiro.
Como o setor funerário pode se posicionar diante dessa inovação?
Cemitérios e funerárias que desejam se manter competitivos precisam encarar as urnas biodegradáveis não como uma tendência passageira, mas como uma linha de produto com demanda crescente e perfil de consumidor bem definido. Investir na oferta diversificada, no treinamento das equipes e na comunicação transparente com as famílias são os primeiros passos para atender esse público com qualidade. Tiago Schietti reforça que a inovação no setor funerário não precisa romper com a tradição.
O mercado de urnas biodegradáveis também abre espaço para parcerias com fornecedores especializados, certificações ambientais e até diferenciação de marca. Empresas que souberem comunicar seu compromisso com a sustentabilidade de forma autêntica terão uma vantagem real na conquista de um consumidor cada vez mais atento ao impacto de suas escolhas, mesmo nas decisões mais difíceis da vida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

